Porto Alegre, 9 de abril de 2001 · Adotada pelo Conselho Internacional do FSM
O comitê de entidades brasileiras que concebeu e organizou o primeiro Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre de 25 a 30 de janeiro de 2001, considerou necessário e legítimo estabelecer uma Carta de Princípios.
Os Princípios contidos na Carta consolidam as decisões que presidiram a realização do Fórum de Porto Alegre e fizeram seu sucesso.
O Fórum Social Mundial é um espaço de encontro aberto para aprofundar a reflexão, o debate democrático de ideias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo.
O Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi um evento localizado no tempo e no espaço. A partir de agora, com a certeza proclamada em Porto Alegre de que "um outro mundo é possível", ele se torna um processo permanente de busca e construção de alternativas.
O Fórum Social Mundial é um processo de caráter mundial. Todos os encontros que fazem parte deste processo têm uma dimensão internacional.
As alternativas propostas no Fórum Social Mundial se contrapõem a um processo de globalização capitalista comandado pelas grandes empresas multinacionais e pelos governos e instituições internacionais a serviço de seus interesses.
O Fórum Social Mundial reúne e articula somente entidades e movimentos da sociedade civil de todos os países do mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial.
As reuniões do Fórum Social Mundial não têm caráter deliberativo enquanto Fórum Social Mundial. Ninguém estará autorizado a expressar, em nome do Fórum, posições que pretendam ser de todos os seus participantes.
As entidades participantes do Fórum devem ter assegurado o direito de deliberar livremente durante os encontros sobre declarações e ações que decidam realizar.
O Fórum Social Mundial é um espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário, que articula de forma descentralizada e em rede entidades e movimentos engajados em ações concretas para construir um outro mundo.
O Fórum Social Mundial será sempre um espaço aberto ao pluralismo e à diversidade de engajamentos e ações das entidades e movimentos que dele decidam participar, respeitando a Carta de Princípios. Não poderão participar representações de partidos nem organizações militares.
O Fórum Social Mundial se opõe a toda visão totalitária e reducionista da economia, do desenvolvimento e da história, e ao uso da violência como meio de controle social pelo Estado.
O Fórum Social Mundial, como espaço de debates, é um movimento de ideias que estimula a reflexão e a difusão transparente dos frutos dessa reflexão, sobre os mecanismos e instrumentos de dominação do capital.
O Fórum Social Mundial, como espaço de troca de experiências, estimula o conhecimento e o reconhecimento mútuo das entidades e movimentos que dele participam.
O Fórum Social Mundial, como espaço de articulação, busca fortalecer e criar novas articulações nacionais e internacionais entre entidades e movimentos da sociedade civil que aumentem a capacidade de resistência social não violenta.
O Fórum Social Mundial é um processo que estimula as entidades e movimentos participantes a situar suas ações a nível local ou nacional como questões de cidadania planetária, introduzindo na agenda global as práticas transformadoras.